Amianto penaliza ABB
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Keystone/AP |
O AMIANTO está a provocar uma grande dor de cabeça à multinacional suíça-sueca ABB, que cometeu o erro de comprar uma fábrica americana de caldeiras, que utilizava este material comprovadamente cancerígeno. A ABB não sabe ainda quanto terá de pagar de indemnização perante as «acções de classe» que reúne as queixas judiciais de 66 mil americanos vítimas dos efeitos do amianto. A «atmosfera» judicial foi entretanto agravada por uma recente decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC), que deu prioridade à saúde, numa queixa do Canadá contra a proibição da importação do amianto pela França.
A União Europeia tornará efectiva, em 2005, a proibição do fabrico, venda e utilização do amianto, embora a França já tenha colocado o produto no index de uso e importação em 1999. A prefeita da cidade de São Paulo, Martha Suplicy, de regresso de uma viagem a Paris, decidiu proibir as caixas de água e qualquer outro produto em amianto, apesar da pressão das extractoras brasileiras desse mineral, que esperavam poder continuar a comercializar o produto até 2003.
A ABB envolveu-se com os problemas do amianto, ao comprar, há dez anos, a fábrica Combustion Engineering, vendida alguns anos depois. O investimento mal orientado pode sair extremamente caro, pois assim se conheceram as queixas, as suas acções sofreram uma queda superior a 10%. Ora, a ABB poderia ter evitado essa futura sangria, se tivesse procurado informar-se sobre a razão pela qual o conhecido industrial suíço Schmidheiny, já nos anos 80, se desenvencilhou das suas empresas brasileiras de amianto.
Ele sabia que o amianto acabaria no index das exportações e dos riscos futuros de processos por doenças causadas pelas fibras do metal. Na verdade, há mais de 50 anos, o amianto era alvo de suspeitas, embora esse material seja mais barato e, por isso, muito utilizado nos países em desenvolvimento.
O primeiro processo contra empresas de amianto, foi em 1932, nos EUA. Entretanto, só depois de 30 anos foi reconhecido que as fibras, quase invisíveis do amianto, se fixam no pulmão e provocam cancro. Nessa altura, o processo já incluía 300 mil pessoas, entre empregados, antigos-empregados e utilizadores dos produtos feito com amianto pela Johns Mansville. Sem condições para pagar a empresa criou uma fundação e se declarou falida.
Em Junho 2000, o Canadá, maior exportador mundial de amianto, sentiu-se lesado pela França que, em 1999, tinha proibido a importação do produto.
Em nome da liberdade do comércio, apresentou uma queixa à Organização Mundial do Comércio, que, em Março, negou razão ao Canadá e justificou a decisão francesa, dando prioridade à saúde.